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Quanto mais à toa e solitário, mais agressivo fica Kalil

“Cabeça vazia, oficina do diabo”. Bem, não sei quem cunhou a frase, mas “cabeça vazia deveria esquecer quem está trabalhando”, eu sei. Foi um querido amigo-irmão, que entre uma taça de vinho e outra, me proporcionou três horas de ótima prosa.

Alexandre Kalil, desde que deixou a prefeitura de Belo Horizonte ao menos, não trabalha (formalmente falando). Portanto, tempo lhe sobra, e como a cabeça anda vazia… isso aí! Resolveu – mais uma vez – amolar quem está trabalhando.

O ex-prefeito, rejeitado pelos eleitores – Kalil perdeu a eleição para o estado, em primeiro turno, para o governador Romeu Zema -, foi passear em São Paulo e participou de um bate-papo entre amigos numa emissora de TV (ESPN).

FALANDO EM VIAGEM

Quando era prefeito e viajava para o Rio, costumava se hospedar no Copacabana Palace, deixando parte da conta pendurada, sendo prontamente socorrido por uma prestadora de serviços da Prefeitura e do Atlético (quando presidente do Clube).

A proprietária da agência de viagens pagava as despesas pessoais de Kalil com o próprio cartão de crédito e depois recebia o dinheiro – em espécie – através de emissários do ex-prefeito, burlando a fiscalização e os meios de controle bancário.

Tal fato foi confessado durante a CPI do Abuso de Poder, que apontou claramente em seu relatório final, todos os atos de Kalil, quando prefeito, em benefício próprio e contra o Clube Atlético Mineiro, notadamente a construção da Arena MRV.

MAIS SOBRE A CPI

Além de manobras administrativas para evitar cobranças de IPTU e mesmo o perdão de dívidas, sua gestão espetou nos cofres alvinegros mais de 350 milhões em contrapartidas abusivas e inéditas no Brasil, além de atrasos consideráveis à obra do estádio.

Como deve milhões de reais a ex-funcionários, que para ele trabalharam e nunca receberam, Kalil, ao ter pagamentos realizados por terceiros, que reembolsou em espécie, pode ter cometido fraude à execução (maneira de esconder patrimônio dos credores).

Além disso, e ainda mais grave, a proprietária da agência de viagens – que faturou milhões de reais contra a Prefeitura e o Atlético – pode ter cometido crime de lavagem de dinheiro. O Ministério Público já recebeu o relatório da CPI e irá deliberar a respeito.

DE VOLTA AO ASSUNTO

Mas, voltando ao bate-papo na ESPN, Kalil, entre meias-verdades, mistificações e distorções, atacou ferozmente Ricardo Guimarães (presidente do Conselho Deliberativo do Atlético e acionista da SAF alvinegra), desafeto confesso e, ao que parece, inesquecível.

É impressionante como Alexandre Kalil não tira o banqueiro (BMG) e patrocinador de décadas do Galo, da cabeça. Talvez porque a tática funcione, e sempre que ofendido o proprietário do Atlético (ao lado de outros acionistas como a Família Menin) reaja.

Uma forma de quem vive o ocaso pessoal submergir da solidão e do esquecimento é encontrar uma escada que o retire do porão e o traga à superfície. Isso Kalil sabe fazer bem. Na política e no futebol, sempre viveu de brigas e agressões para aparecer.

ESTILO DE VIDA

Não é à toa que, como político, após ser humilhado eleitoralmente por Romeu Zema, mesmo suplicando, não conseguiu nem sequer um mísero cargo de terceiro escalão no governo federal (Kalil fez campanha ao lado do presidente eleito Lula da Silva).

Se na política coleciona inimigos em série, no esporte, idem. E no Atlético Mineiro, um outrora feudo seu, não é bem-vindo nem no quarteirão da sede de Lourdes. Em recente reunião de Conselho, foi sonoramente vaiado e nunca mais apareceu.

Freud, se vivo, teria dificuldade em entender o ódio de Kalil por Guimarães. Numa inversão de valores abissal, Alexandre acusou Ricardo de ser invejoso. Vamos aos fatos: um é empresário de extremo sucesso; o outro é ex-empresário falido e endividado. E mais…

VÃO ANOTANDO

Um é cercado de amigos e afetos; o outro, rodeado de inimigos e desafetos. Um caminha livremente pelas ruas de Belo Horizonte, sem ser perseguido por oficiais de justiça; o outro não possui bens em seu nome, mas mora, come e se desloca de forma luxuosa.

Kalil também acusou Guimarães de ser o pior presidente do Atlético. Bem, opinião é opinião, mas a história conta que Ricardo doou o terreno da Cidade do Galo, ajudou financeiramente o Clube e ainda abriu mão de mais de 200 milhões de reais em créditos.

Em 2012, Alexandre Kalil contratou Ronaldinho Gaúcho, ídolo eterno atleticano, mas nunca o pagou, deixando justamente para Ricardo Guimarães e companhia a tarefa de saldar a dívida, acrescida de juros e correção monetária.

LONGE DE TERMINAR

Quando presidente do Galo, Kalil contratou e pagou salários, às vezes, três ou quatro vezes o valor de mercado, a executivos amigos seus. Inclusive, um deles foi, após sair do CAM, seu tesoureiro de campanha. Claro, que mera coincidência.

Também como mandatário do alvinegro, Alexandre empregou filhos e parentes no Galo, e quando questionado sobre o emprego a um cunhado, respondeu: “cunhado não é parente”. Tem gente que diz que: se cunhado fosse bom não começava com…

A gestão financeira de Kalil, no Atlético, foi catastrófica. E se não bastassem as despesas explosivas com a má gestão do futebol, arrombava o caixa do Clube com viagens internacionais nababescas, muitas vezes acompanhado da família.

ESPORTIVAMENTE FALANDO

Sim, é verdade. O ex-presidente do Galo venceu a Libertadores e a Copa do Brasil. Mas quem não se lembra da maior perda para um atleticano-raiz? A chance de rebaixar o rival à série B foi trocada por uma goleada histórica, o infame 6×1.

Aliás, antes disso, Kalil fora goleado, também pelo Cruzeiro, por 5×0. E também por 6×2, pelo Corinthians, em pleno Mineirão. Nenhum outro presidente da história atleticana serviu como saco de pancadas como Alexandre Kalil. Podem pesquisar!

Finalizando, pergunto: será mesmo Ricardo Guimarães o pior presidente da história do Galo? Terá mesmo RG inveja de Alexandre Kalil? Contra fatos, não há argumentos. Ainda que na base do berro e da mentira, AK jamais conseguirá reescrever a história.

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